Destrono
como tronos em meu desespero latente
como tudo que permitiu-se ir
nunca num desespero solitário, ficou.
como um peixe na enxente afogado
como um sapato na chuva encharcado.
como tudo que se foi no vento
jamais na angústia amarga permaneceu.
tronco sujo de primavera
roco e morto de mim
sem esperar já foi.
sonso lixo de quem erra
rosno as farpas de marfim
deixo-me levar depois.
